Não há dúvidas que se Paris não é a cidade mais linda do mundo, ao menos ela divide o primeiro lugar com Roma. Diferente da "cidade irmã" italiana, que deve muito de sua beleza às glorias e megalomanias do Império Romano e ao poder da Santa Sé, Paris foi virando Paris aos poucos.
Como um mille-feuille, a beleza se criou em etapas. Num terreno plano e sem nenhuma beleza natural, Paris era preterida pelos reis medievais que preferiam viver em Orleans. Até que no século XII começa a construção da Catedral de Notre Dame e o início da caminhada de Paris rumo ao pódio das mais belas cidades. A ela seguiram palácios, mais igrejas e arcos trinufiais que viviam em certa beleza desarmonica, a ponto de nos romances balzaquianos, já no século XIX, a cidade não ainda ser notória por sua beleza como o é hoje.
Eis que chega ao poder na segunda metade do século XIX Napoleão III, sobrinho do famoso imperador, e delega ao visionário Barão Haussmann, a montagem do doce, ou seja a reestruturação total de Paris, alinhando fachadas, criando largas avenidas, parques e praças num dos maiores planos de reurbanismo já executados, tranformando uma cidade medieval e insalubre na Paris que conhecemos hoje. Para finalizar, no crepúsculo do século XIX, o engenheiro Gustave Eiffel constroi a cereja do bolo.
Mas Paris também é uma cidade sortuda, tendo passado praticamente ilesa por duas guerras mundias que destruiram concorrentes de peso como Londres e Berlin, créditos ao general Dietrich von Choltitz, e pela fúria modernistas dos arranha-céus, excessão à obscena Tour Montparnasse.
Glamour, moda, culinária... Outros elementos dessa cidade única e tão especial que acabam tendo um preço, e caro.
Não é novidade o ranking da Economist colocar Paris como a cidade mais cara. Afinal em que outro lugar do mundo uma copo de cerveja num bar qualquer custa 8 euros (R$20), uma refeicão simples 20 euros (RS50), um pacote de cigarros 5,40 euros (R$ 13,5) e um apartamento de 30 metros quadrados 350 mil euros (R$ 875 mil)?
Como o salário médio de um parisiense gira em torno de 3.000 euros, ter uma casa própria dentro de Paris acaba sendo pra poucos. A classe média burguesa prefere morar nos banlieus chics a leste, sul e noroeste de Paris, enquanto seus filhos pagam alugueis caríssimos, em torno de 600, 700 euros mensais, em micro apartamentos, às vezes até sem vaso sanitário dentro, proximos às universidades.
Os ultra ricos, que inclui não apenas os empresários e herdeiros parisienses mas também mafiosos russos e sheikes árabes, que em muitas regiões ja são a maioria dos proprietários, são os únicos que conseguem ter casa própria e frequentar semanalmente a belle vie dos filmes hollywoodianos.
Eis uma das explicações para a vague rose (cor do Partido Socialista Francês) que varreu a França e colocou Sarkozy na berlinda: enquanto os salários ficam estagnados e a oferta de empregos diminui, o preço de produtos, serviços e lazer só aumenta.
Com esse prognóstico o parisiense médio geralmente prefere gastar o que sobra em viagens para o exterior ao invés de mudar para uma apartamento mais confortável ou até mesmo comprar um carro, mesmo porque o transporte público funciona lá. Mas apesar das limitações de viverem em cubículos e com o dinheiro "contado", lá eles tem a cidade como extensão da casa diferentemente de nós brasileiros que precisamos do maior conforto possível intra-muros, seja dentro de casa seja dentro de um shopping, já que o que temos do lado de fora pode ser muito perigoso.
Como um mille-feuille, a beleza se criou em etapas. Num terreno plano e sem nenhuma beleza natural, Paris era preterida pelos reis medievais que preferiam viver em Orleans. Até que no século XII começa a construção da Catedral de Notre Dame e o início da caminhada de Paris rumo ao pódio das mais belas cidades. A ela seguiram palácios, mais igrejas e arcos trinufiais que viviam em certa beleza desarmonica, a ponto de nos romances balzaquianos, já no século XIX, a cidade não ainda ser notória por sua beleza como o é hoje.
Eis que chega ao poder na segunda metade do século XIX Napoleão III, sobrinho do famoso imperador, e delega ao visionário Barão Haussmann, a montagem do doce, ou seja a reestruturação total de Paris, alinhando fachadas, criando largas avenidas, parques e praças num dos maiores planos de reurbanismo já executados, tranformando uma cidade medieval e insalubre na Paris que conhecemos hoje. Para finalizar, no crepúsculo do século XIX, o engenheiro Gustave Eiffel constroi a cereja do bolo.
Mas Paris também é uma cidade sortuda, tendo passado praticamente ilesa por duas guerras mundias que destruiram concorrentes de peso como Londres e Berlin, créditos ao general Dietrich von Choltitz, e pela fúria modernistas dos arranha-céus, excessão à obscena Tour Montparnasse.
Glamour, moda, culinária... Outros elementos dessa cidade única e tão especial que acabam tendo um preço, e caro.
Não é novidade o ranking da Economist colocar Paris como a cidade mais cara. Afinal em que outro lugar do mundo uma copo de cerveja num bar qualquer custa 8 euros (R$20), uma refeicão simples 20 euros (RS50), um pacote de cigarros 5,40 euros (R$ 13,5) e um apartamento de 30 metros quadrados 350 mil euros (R$ 875 mil)?
Como o salário médio de um parisiense gira em torno de 3.000 euros, ter uma casa própria dentro de Paris acaba sendo pra poucos. A classe média burguesa prefere morar nos banlieus chics a leste, sul e noroeste de Paris, enquanto seus filhos pagam alugueis caríssimos, em torno de 600, 700 euros mensais, em micro apartamentos, às vezes até sem vaso sanitário dentro, proximos às universidades.
Os ultra ricos, que inclui não apenas os empresários e herdeiros parisienses mas também mafiosos russos e sheikes árabes, que em muitas regiões ja são a maioria dos proprietários, são os únicos que conseguem ter casa própria e frequentar semanalmente a belle vie dos filmes hollywoodianos.
Eis uma das explicações para a vague rose (cor do Partido Socialista Francês) que varreu a França e colocou Sarkozy na berlinda: enquanto os salários ficam estagnados e a oferta de empregos diminui, o preço de produtos, serviços e lazer só aumenta.
Com esse prognóstico o parisiense médio geralmente prefere gastar o que sobra em viagens para o exterior ao invés de mudar para uma apartamento mais confortável ou até mesmo comprar um carro, mesmo porque o transporte público funciona lá. Mas apesar das limitações de viverem em cubículos e com o dinheiro "contado", lá eles tem a cidade como extensão da casa diferentemente de nós brasileiros que precisamos do maior conforto possível intra-muros, seja dentro de casa seja dentro de um shopping, já que o que temos do lado de fora pode ser muito perigoso.

3 comentários:
"eles tem a cidade como extensão da casa"
taí. gostei.
Guilherme, estou em contato por meio do COmidinhas, da Ale Blanco, onde deixei esta mensagem para vc e, depois cliquei em seu nome pra chegar até aqui. Tudo se refere ao Roux Bistrô. Sou assessora da casa e, em nome do chef Arthur Sauer, gostaria de convidar vcs e sua namorada para irem lá novamente, só marcar o dia por telefone, e experimentar o prato. Depois de alguns desacertos que aconteceram durante a SPRW, será um prazer recebê-los no Roux.
Se houver essa possibilidade, agradecemos desde já. Um grande abraço, Luiza
Luiza,
Entrarei em contato sim para poder retirar a má impressão que tive do lugar.
Muito obrigado e um abraço.
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