quinta-feira, 11 de março de 2010

Terroir paulistano




Um dos conceitos mais interessantes da cultura francesa é o chamado terroir. O terroir não é apenas um termo agrícola que significa área geográfica agrícola com produtos específicos àquela região. É um termo que também se refere à sociedade destas regiões, os pays (regiões históricas com coesão cultural, social e econômica), e ao sentimento de pertencer a um espaço e cultura milenares. Todo pays produz seus queijos, vinhos e produtos específicos (foie gras, azeites, embutidos, etc) e também milhares de habitantes orgulhosos de suas tradições.

Num país culturalmente "jovem" como o Brasil a noção de identidade regional se perde um pouco com as sucessivas ondas de imigrações externas e internas. Estados mais antigos e consolidados como Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul, possuem características e produtos (queijos, vinhos, pratos típicos) que os aproxima do significado de terroir.

Uso esse termo de forma inapropriada para tentar explicar o que sinto quando passeio com meu olhar estrangeiro, de Ribeirão Preto, por São Paulo. Percebo a dificuldade das tradições locais em se perpetuarem e permanecerem. Tudo tem que ser novo, moderno: o novo point, o novo restaurante, o novíssimo apartamento (neoclássico de preferência) e assim vai. Esquecemos as tradições e somos sugados por modismos efêmeros que se manifestam da culinária as artes, dos hábitos aos apartamentos chegando até à forma de se relacionar. Isso em cidades como Rio, Paris e Buenos Aires é bem menos evidente. As mudanças lá demoram pra acontecer e os hábitos parecem seguir uma certa coerência.

Separtirmos do pressuposto que a sociedade é um sistema, a de São Paulo possui tantos elementos que leve a transforma praticamente em ambiente, e isso a descaracteriza como sistema, causando repulsa das pessoas. É isso que os governadores e prefeitos devem pensar para que no futuro planos diretores para a cidade consigam colocá-la novamente dentro de uma ordem sistemática, e o primeiro passo é manter as tradições, o “terroir”. Saudades de uma São Paulo colonial desconhecida.

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